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Observação de aves

Veja a lista das observações recentes.

Spoonbills on Ria de Alvor

A Ria de Alvor inclui-se nas rotas de migração mundial das aves. Mais de sete milhões de aves migram de forma sazonal entre o norte da Europa e o continente africano através do oceano Atlântico e do mar Mediterrâneo. Muitas dessas aves têm a Ria de Alvor como ponto de paragem, utilizando os habitats existentes para a obtenção de alimento, como refúgio para descansarem e, eventualmente, acasalarem e nidificarem. Ao longo das diferentes estações do ano, várias aves partilham o mesmo espaço e chegam e partem criando um leque de espécies bem diversas durante todo o ano.

Desde 1985, contagens de limícolas efectuadas quinzenalmente na Ria de Alvor pela associação A Rocha e o cruzamento dessa informação com contagens de outros observadores em todo o estuário e zonas periféricas, permitem estimativas muito credíveis relativamente às espécies presentes e relativa abundância ao longo dos anos. Entre as espécies de limícolas observadas com maior regularidade podem referir-se: o Pilrito-de-peito-preto, o Milherango, o Perna-verde, a Garça-real, o Abibe, o Pato-real, a Galinha-d’água, a Tarambola-dourada, a Tarambola-cinzenta, o Borrelho-de-coleira-interrompida, o Borrelho-grande-de-coleira, o Perna-vermelha, o Maçarico-das-rochas, o Pato-colhereiro, o Pernilongo, a Marrequinha, o Maçarico-galego, o Alfaiate, a Garça-branca, o Mergulhão-pequeno e a Rola-do-mar. Com menor frequência, são também observáveis o Fuselo, o Pilrito-de-bico-comprido, o Colhereiro, o Corvo-marinho, o Maçarico-real e o Maçarico-bique-bique.

As aves estão, regra geral, bem adaptadas ao seu tipo de habitat e, consequentemente, a diferentes tipos de alimentação. Aves adaptadas a um habitat de zona húmida terão pernas mais altas, que lhes permitam andar dentro de água e bicos compridos, delgados com ou sem curvatura que, naturalmente, lhes permitam alimentarem-se de pequenos invertebrados enterrados na areia e no lodo. As aves aquáticas (que passam mais tempo no mar que na terra) são dotadas de uma membrana interdigital nas patas que lhes permite nadar, utilizam ainda uma gordura que segregam para impermeabilizar as penas permitindo-lhes estar dentro de água sem se molharem e muitas têm um pequeno tubo por cima do bico que utilizam para expulsar o excesso de sal. Uma ave que se alimente sobretudo de insectos voadores terá que ter asas resistentes que lhe permitam voar sem cessar e praticar manobras mais dinâmicas.

Das observações e identificações de aves que podem ser realizadas na Ria de Alvor, entre as mais emblemáticas são de referir a óptima camuflagem do noitibó, os miados do mocho-galego que tem na península da Quinta da Rocha a densidade mais elevada da Europa e os charnecos (ou pegas azuis) que existiam por toda a Eurásia e agora já só se encontram na Península Ibérica e na Índia. Das espécies limícolas, as mais emblemáticas são os flamingos.

A lista total de aves registadas na Ria de Alvor atinge as 255 espécies incluindo uma avifauna de mais de 150 espécies que anualmente nidificam, invernam ou repousam na área, durante as suas viagens migratórias. Destas, 30 são de importância para a conservação na Europa (Anexo 1 da Directiva Aves: Directiva nº79/409/CEE posteriormente transposta para a legislação Portuguesa no Decreto-Lei nº140/99 de 24 de Abril, estando a lista referenciada como Anexo A - I) e populações nidificantes de três aves aquáticas – Chilreta (Sterna albifrons), Borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) e Pernilongo (Himantopus himantopus) –significativas a nível nacional.