Futuro da Ria de Alvor
É no coração da Ria de Alvor que encontramos o único Centro de Estudos Ambientais português aberto em permanência há mais de 21 anos. O Centro de Estudos e Observação da Natureza, localizado na Quinta da Rocha foi fundado em 1983 pela associação não governamental de ambiente “A Rocha”. Desde então, o Centro tem incentivado vários estudos nesta zona húmida e desenvolvido actividades regulares como a anilhagem de aves e actividades de educação ambiental junto de escolas e das comunidades locais. A enorme quantidade de estudos realizados e de informação sistematizada ao longo de décadas sobre a Ria de Alvor torna-a num notável case study e num local que urge preservar como exemplo para o futuro.
São todos os ecossistemas que compõem a Ria de Alvor e as respectivas interacções entre eles que permitem a continuidade funcional de cada habitat individualmente. É na complexa e intrincada rede trófica que envolve todas as espécies, e na sua permanente relação de equilíbrio dinâmico em interacção com os elementos geológicos, hídricos e sistema edafoclimático em geral, que assenta a actual riqueza e o futuro da Ria de Alvor. O Turismo, tantas vezes conotado com a indústria de massas e a pressão urbanística causadora da destruição de espaços naturais, terá inevitavelmente que reconhecer a extrema importância da Ria de Alvor e do valor acrescentado que representa para toda a região circundante. Para que exista no futuro um turismo de qualidade e a Ria de Alvor não desapareça como a conhecemos, esse reconhecimento é urgente.
O ecossistema dunar é bastante frágil e o simples pisoteio da vegetação pode destruir rapidamente um habitat que demora anos a formar-se. Além disso, a duna é utilizada por vários animais (aves, mamíferos, insectos, répteis) facilmente perturbáveis pela presença humana.
Para muitas aves a migração é fundamental. De facto, aumenta as suas possibilidades de sobrevivência de tal forma que, mesmo com uma disponibilidade alimentar suficiente, elas preferem muitas vezes fazer a travessia para um outro pais. Para acasalar, para se alimentarem ou simplesmente por causa das condições climatéricas, as aves empreendem viagens de milhares de quilómetros de distância, repletas de perigos e ameaças. A destruição de zonas húmidas mediterrânicas durante o último século, devido ao impacto do homem, à pesca excessiva e à poluição dos mares, poderá vir a prejudicar num futuro próximo as reservas de pesca e ameaçar a sobrevivência de algumas espécies de aves. A Ria de alvor não é uma excepção. Interesses urbanísticos e turísticos podem pôr em perigo estes habitats e as espécies que deles dependem. A caça, a captura quer através de redes quer através de cola ou visco, os predadores, os cabos de alta tensão, a nafta derramada nos oceanos, ou ainda as substâncias envenenadas ou tóxicas abandonadas pelo homem no ambiente, são factores que afectam directamente as populações e os seus indivíduos.